Publicado por: Roger Stein | 25/01/2010

Haiti Clama por Paz, Libertação e Vida


Resolvi postar um artigo sobre o Haiti, já que a desgraça que este povo tem sofrido não pode passar batido. O texto a seguir não é novo, é de março de 2007, escrito por um coordenador de missões da JMM, mas nos dá um panorama de como estava a igreja nesse país.

O que mais me impressiona é que nem todo o dinheiro do mundo pode ajudar esse país se esse povo não se arrepender.  O que pode nos dar a falsa impressão de sermos mais “crentes”, mais “convertidos”, o que também não é verdade. Mas pode sim nos dar uma visão de como somos egoístas e religiosos, a começar por mim. É tão bom termos a certeza da salvação, mas já parou pra pensar que de uma só vez pelo menos 100 mil pessoas podem ter ido pro inferno. Será que nós, religiosos, queremos pensar sobre isso?

Que o Reino de Deus se estabeleça sobre o Haiti.

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Haiti Clama por Paz, Libertação e Vida

No mês de dezembro de 2006 tivemos a oportunidade de visitar o Haiti. Já há alguns anos esse país tem sido alvo das orações e dos planos da Junta de Missões Mundiais para que se torne mais um campo missionário dos batistas brasileiros.

Foram oito dias de experiências marcantes que de muito valerão para nosso ministério e futuras relações entre os batistas do Brasil e do Haiti. Religiosidade, pobreza, alegria. Assim podemos caracterizar a vida do povo haitiano.

Religiosidade
A primeira impressão que tivemos do país é que se trata de um povo extremamente religioso. Logo se vê carros, casas, comércios e outros estabelecimentos que levam temas e versículos bíblicos. É comum encontrarmos nos carros expressões do tipo: “É do Senhor”, “Deus me deu”, “Jeová é a nossa força”, “Não esqueças que és pó”. Não é difícil ver fachadas com palavras como “Alfa e Ômega”, “Deus é o Senhor”, “Amor de Deus” etc. Além disso, é possível ver, nas manhãs de domingo, um número elevado de pessoas acorrendo às várias igrejas da cidade, sejam católicas ou evangélicas.

Presume-se que o Haiti tenha cerca de 30% de evangélicos, e isso pode ser confirmado pela quantidade de igrejas espalhadas por todo o país. São Igrejas Batistas, Assembléias de Deus, Metodistas, Igreja do Nazareno, Igreja de Deus, Congregacional, Presbiterianas, entre outras. Em geral, as igrejas são tradicionais, seguindo modelos americanos de culto, embora haja muita alegria e liberdade na expressão litúrgica, no típico estilo africano. Há pelo menos quatro missões batistas estabelecidas no país: Missão Evangélica Batista do Haiti (UEBH), Missão Evangélica Batista Luz do Haiti (UEBLH), Convenção Batista do Haiti (CBH) e Missão Evangélica Conservadora do Haiti (MEBH), além de igrejas independentes espalhadas por todo o país. Fato interessante é que, como outras igrejas evangélicas, as missões batistas têm hospitais, escolas, faculdades, seminários, além de vários projetos sociais. No passado os missionários norte-americanos em muito contribuíram para essas missões, sendo reduzido hoje o número de obreiros presentes no país.

Pobreza extrema
O Haiti é o país mais pobre das Américas. Grande parte da população vive com menos de dois dólares (R$ 4,20) por dia. Cerca de meio milhão de crianças estão fora da escola e existe menos de um médico para cada 10.000 habitantes no país. Fora os países africanos, é o que tem o maior índice de contaminados pelo vírus HIV. O analfabetismo é alarmante, alcançando 60% da população. Andando pelas ruas da capital, Porto Príncipe, pode-se ver de tudo. A feira livre – onde se vendem desde roupas até comida e animais – funciona ao lado de montanhas de lixo em ruas cheias de lama. Uma multidão divide os espaços com carros e animais, sendo comuns os congestionamentos infindáveis. Mulheres lavam roupas nos poucos rios do país, outras cozinham a parca comida de que ocasionalmente dispõem.

O desafio
Apesar da forte presença evangélica no país, o Haiti é um grande desafio. A pobreza material, somada à carência espiritual, é uma realidade. O povo é religioso, mas está distante do Deus vivo. O vodu (desenvolvimento do espiritismo e da feitiçaria da África Ocidental, parecido com o candomblé) é a religião tradicional do país, sendo praticado por todos os círculos sociais, atingindo inclusive os crentes (é comum estes não quererem falar sobre o assunto quando são indagados). Já os não-cristãos temem o poder dos feiticeiros e dos espíritos familiares que podem transformar um desobediente em zumbi (espécie de morto-vivo que se torna escravo do sacerdote vodu). O Haiti vive imerso na miséria material em parte decorrente da escravidão espiritual que há séculos assola
a nação.

As igrejas ainda não conseguiram influenciar decididamente a sociedade haitiana e necessitam de uma nova visão de ministério, baseada no discipulado e na libertação do medo dos espíritos. Além disso, precisam de ajuda para cumprir a sua missão social, aliás, marca característica daquelas igrejas (muitas têm, ao lado do templo, uma escola primária). A juventude haitiana vive, em geral, à margem das oportunidades, sem muitas perspectivas e tornando-se alvo frágil frente às drogas e à prostituição. A presença de organizações não-governamentais (ONGs) é sinal de que minorar a pobreza daquele povo deve estar nas prioridades das missões estrangeiras.

Mayrinkellison Peres Wanderley

Coordenador da Região das Américas da JMM

Leia o artigo completo clicando aqui.

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Responses

  1. “É tão bom termos a certeza da salvação”… Interessante essa frase, até mais se pensarmos q a “certeza da salvação” está longe do objetivo d Deus para vida do Homem… Ele espera muito mais de nós…muito mais q isso!!!!

  2. Irmão, li num site de notícias que estão pensando em reconstruir as igrejas que desbaram. À primeira vista, uma iniciativa nobre e caridosa. Mas minha opinião é de que, já que o momento é de reconstrução, que sejam feitos esforços para reconstruir a IGREJA no Haiti, não templos. Porque todos já sabemos que a IGREJA não está em templos, que Deus não habita em edifícios de alvenaria, que volta e meia vêm abaixo (aqui em SP também). Então que se ensine aos nossos sofridos irmaõs que não gastem recursos valiosos em templos, mas que retorne à prática primitiva das reuniões nas casas, sem “ge-dozismo”, sem “celulite”, mas que se valorizem as reuniões familiares, de grupos de vizinhos, e o encaminhamento dos recursos levantados para suprir as necessidades imediatas do povo: comida, remédios, roupas. A última coisa que deveria receber dinheiro, nesse momento, na minha opinião, é na construção de templos.

  3. Muito bom Roger, gostei da informação. Não sabia que “crentes” praticavam voodoo lá no Haiti. É realmente uma pena. Esse país pede um avivamento.

    Mais uma vez parabéns pela bela postagem. Não deixe de me prestigiar comentando no meu blog!

  4. A Graça e a Paz do Senhor Jesus Cristo.

    Bom dia,
    Lhe agradeço pela visita ao meu blog e tomei a liberdade de lhe colocar entre os meus contatos.
    Visitei o seu blog e isso que aconteceu ao Haiti me fez pensar na justiça e amor de Deus, porque no geral (nem todos claro) mas uma boa parte do povo daquele país era ou é conhecidos pelo voduismo e no país do lado, a República Dominicana (na mesma pequena ilha) nada aconteceu, não é a mão de Deus forte e justa? Quem explica? Fique com Deus.

    Irmão Flávio

  5. É irmãos nem é bom pensar em 100 mil pessoas indo pro inferno no
    Haiti, mas e no mundo inteiro? É gave muito grave . E a Igreja está
    atenta para esse fato ou os crentes estão só querendo bençãos fi-
    nanceiras? Nós temos orado e clamado, mas isti ainda é muito pouco.


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